PREFEITURA DE INHAPI

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

SÁBADO OU DOMINGO?

Afinal de contas, qual o verdadeiro dia do Senhor, sábado ou domingo?

Resultado de imagem para cada um puxa para o seu lado
Um dos temas mais conflitantes entre as igrejas evangélicas é sobre a guarda do dia do Senhor, não exatamente sobre a guarda em si, mas sobre qual seria o dia correto para se fazer isso.

Ou seja, à luz da Bíblia, qual seria o dia correto que poderíamos considerar como o dia a ser dedicado a Deus, sábado ou domingo?

Analisando as igrejas que se dizem cristãs, a esmagadora maioria guardam o domingo, estando os sabatistas em franca minoria.

Sabemos que antes mesmo da instituição de lei de Moisés, ainda lá no Gênesis, ao terminar toda a criação, no 6º dia, o Senhor, no 7º dia (Gn 2:2), descansou, e, claro, não o fez porque estivesse cansado, nem por necessidade alguma de sua natureza, mas sim Ele o fez para que nós também o fizéssemos.

O sábado, por tanto, não é coisa da lei mosaica, mas sim uma instituição divina.
Porém, veio Jesus, o Senhor do sábado, e junto com Ele veio também o Novo Testamento, cuja doutrina foge de qualquer pacto antigo, posto que inaugura a Nova Aliança (Hb 7:22), que não mais se utiliza de sangue de bodes e de touros, mas sim do Sangue do Cordeiro de Deus, que, como já dissemos, é o Senhor do Sábado.

Os dominicais afirmam que o sábado era uma ordenança da Velha Aliança, e que a Nova Aliança revogou a necessidade de se guardar o sábado, afirmam ainda que quando o Novo Testamento faz referência ao dia do Senhor, tal dia sempre é o domingo, e que, de todos os Dez Mandamentos, o único que não encontra confirmação neotestamentária é justamente o 4º mandamento, que diz “lembra-te do dia do sábado para o santificar”.

Os sabatistas, em contrapartida, afirmam que o próprio Jesus afirmou que seus ouvintes deveriam orar para que a fuga da Grande Tribulação (Mt 24:20) não ocorresse no sábado. Alegam ainda que o sábado deve ser guardado pois foi ordenança divina instituída no Éden, além de que seria um mandamento inserido no decálogo, ou seja, nos Dez Mandamentos.

Particularmente não gosto muito do domingo. Não que haja algum motivo especial, ou espiritual, nem que minhas predileções pelo dia da semana tenham alguma importância para o tema abordado (nem para tema algum!). Mas a verdade é que nunca gostei muito do domingo, pois, mesmo gostando da igreja e da Escola Bíblica, o domingo era um dia onde, mesmo não havendo aula (confesso que nesse ponto eu era grato ao domingo), as lojas eram fechadas, e as ruas estavam desertas, o que causava em mim uma certa melancolia.

Outro dia assisti um sabatista pregando na TV, enfatizando repetidamente a importância de se guardar o sábado. Ele deixou bem claro que a guarda do sábado não de dava para a salvação das pessoas, mas sim como uma obediência à Lei do Senhor (não o entendi! Obedeço só por obedecer?!). No entanto, mesmo sendo sincero em relação a tal verdade (que a guarda do sábado não é causa vital para a salvação dos indivíduos), ele porém tratou o sábado muito mais como um ser vivo onipotente, que tem poder para operar bênçãos e proteção naquelas pessoas que o guardam.

Ele falou algo do tipo: “o sábado te abençoa”, “o sábado te protege”, “o sábado de deixa mais próximo de Deus”, além de algumas outras ideias que me fizeram pensar que para aquele pregador o sábado estaria muito mais para um ente personalizado, um ser vivo como dito, ou uma divindade talvez, do que propriamente para um dia da semana, que aliás era o dia em que minha mãe fazia a feira (talvez por isso eu goste mais dele do que do domingo!).
Aquele pregador parecia mais um católico falando sobre Maria a mãe de Jesus, do que propriamente de um dia da semana.

Sinceramente, se eu não soubesse o que era o “sábado”, após ouvir o pregador da TV, certamente pensaria que o “sábado” era o nome de algum ser místico e poderoso, ou então que seria um objeto mágico que, uma vez a pessoa não perdendo-o, mas guardando-o fielmente, seria abençoado por ele. Jamais imaginaria que o “sábado” era o nome dado a um dos dias da semana.
Mas então, sábado ou domingo, qual devemos guardar?

É verdade que o Novo Testamento nos afirma que a lei mosaica foi abolida quando do surgimento do Messias. O próprio Senhor Jesus disse que a lei e os profetas vigoraram até João Batista (Lc 16:16). Em Atos vemos a realização do primeiro Concílio da Igreja, o qual ficou conhecido como Concílio de Jerusalém, e que se originou da controvérsia acerca da necessidade ou não da circuncisão, mas que abrangeu, na verdade, a necessidade ou não de se guardar a lei mosaica. E o resultado do Concílio foi que: eles se abstivessem da prostituição, da carne sufocada, dos ídolos e do sangue, e nada foi dito sobre o sábado. Em Romanos vemos que a nossa justificação vem pela Graça e não pela lei (3:28). Aos Gálatas Paulo é ainda mais contundente, afirmando que estão separados de Cristo os que querem ser justificados pela lei (5:4). Além de outros textos que comprovam a não necessidade de guarda sabática.

Por outro lado vemos uma certa interpretação muito expansiva dos dominicais, ao se utilizarem de alguns textos para defenderem a guarda do domingo. Segundo os historiadores, teria sido o imperador Constantino quem ordenou que se guardasse o domingo.

Todavia, deixando de lado todo amor às placas de igreja, se quisermos de fato ser sinceros, a verdade é que não existe um texto claro no Novo Testamento, ordenando que os cristão deveriam guardar o domingo. Se algum texto sagrado do Novo Testamento fez referência ao domingo, como sendo o dia do Senhor, além de ser muito sutil, isso não significa dizer que se deve sabatizar o domingo.
Por tanto, mais uma vez se pergunta: sábado ou domingo, qual devemos guardar?

Resposta: NENHUM!
Isso mesmo, NENHUM!
Vou dizer de novo: NENHUM!

Causa-me tristeza que às portas da volta de Cristo, os crentes ainda não tenha compreendido isso: não há mais dia do Senhor, pois todos os meus dias são do Senhor.

Escrevendo aos Gálatas, Paulo diz que se eles estavam fazendo a guarda de dias, meses, tempos e anos, então, afirmou o apóstolo dos gentios, “temo que a vosso respeito tenha eu trabalhado em vão” (Gl 4:10,11).

Ora, esse texto não deixa margem para qualquer dúvida, porém os dominicais aplicam-no apenas aos sabatistas. Ora, porque aplicar apenas ao sábado, e não ao domingo também?! No entanto, a claridade do texto mostra que ele é um princípio basilar da Palavra de Deus.

Vejamos o seguinte: quando analisamos Gálatas 4:10,11, juntamente com Colossenses 2:16,17, onde Paulo diz que os irmão em Colossos, não deveriam deixar que ninguém os julgasse em relação ao que eles bebiam, comiam, por causa dos deias de festas, ou de lua nova, ou de sábados, pois todas as coisas são sombras de Cristo (Cl 2:16,17), nós chegamos à conclusão que não há mais necessidade alguma de guardamos determinado dia da semana específico. Nem o sábado, nem o domingo.

Nesse ponto, nós devemos entender a essência da Palavra de Deus: (1) Estamos crucificados com Cristo, e não vivemos mais, porém Cristo é quem vive em nós (Gl 2:20); (2) Nós não apenas somos um em Cristo, mas somos de Cristo (Gl 3:28); (3) Nós não vivemos para nós mesmos, pois se vivemos, é para o Senhor que vivemos, se morremos, é para o Senhor que morremos, de forma que, mortos ou vivos, somos do Senhor (Rm 14:7,8); (4) Nosso corpo não é mais nosso, mas sim de Cristo, pois fomos comprados por preço (1 Co 6:15,20); (5) Somos escravos de Cristo (1 Co 7:22); (6) Somos povo adquiridos por Deus (1 Pe 2:9); e etc.

Vários outros textos nos comprovam que pertencemos ao Senhor, somos sua propriedade, e quando a Bíblia nos diz isso, não está usando uma linguagem poética, mas está usando uma linguagem literal, muitas vezes empregando termos utilizados nas transações mercantis (p. ex., “tetelestai”, Jo 19:28-30).

Do Senhor é a Terra, não apenas uma parte dela, mas a sua totalidade, e não apenas a Terra é do Senhor, mas também os que nela habitam (Sl 24:1). Além do mais, tudo é dEle, por Ele e para Ele (Rm 11:36), e todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele nada do que teria sido feito se fez (Jo 1:3).

Somos de fato e por direito pertencentes ao Senhor. De fato, porque Ele nos criou. Por direito, porque além de nos criar, também nos comprou com o seu Sangue.

Apenas a título de exemplo, podemos dizer que se existisse um documento listando especificamente tudo o que pertence ao Senhor, em um dos itens constaria: “Os seres humanos”.

Então, diante disso, em referência à questão do sábado X domingo, podemos afirmar que não há outra conclusão, senão que não há mais dia do Senhor, pois agora todos os nossos dias são do Senhor.

Sendo propriedade, sendo escravo, sendo mera criação, sendo comprado, Cristo vivendo em mim, então todos os dias da minha vida são do Senhor. Todos os dia da semana devem ser um sábado de santidade e adoração, bem como um domingo de serviço e consagração.

Quem acredita que dando um dia ao Senhor está sendo um servo fiel e dedicado, ainda não entendeu a obra vicária de Cristo na cruz do Calvário!
Ora, qual o escravo que não vive todo os dias para o seu Senhor?!

Logo, é errado dedicarmos o domingo ou o sábado para irmos à igreja? De forma alguma, mesmo porque, durante a semana, via de regra, trabalhamos, e não podemos nos dedicar integralmente tanto quanto podemos nos dias de folga.

Seria então erro alguém dedicar-se mais nesses dias ao Senhor? De forma alguma, pois há quem faça diferença entre dias, outros julgam iguais todos os dias, o importante é que se esteja inteiramente convicto do que se faz (Rm 14:5).

Quer guardar o sábado ou o domingo?

Guarde, mas sabendo que está fazendo isso apenas por vontade própria, e que em nada vai auxiliar na sua salvação. Sabendo também que aquele que não guarda dia, como você, em nada é mais fraco.

Assim, o erro é afirmar que a guarda de determinado dia irá influenciar na salvação de alguém, ou que é obrigatório na Nova Aliança.

Jesus não aboliu a lei, mas tornou-a mais profunda no Novo Testamento, pois se homicídio era tirar a vida de alguém, agora homicídio é aborrecer o irmão; se adultério era a conjunção carnal, agora basta um olhar de desejo; se bastava dar o dízimo, agora devo dar o que for necessário; e se havia um dia de dedicação ao Senhor, agora todos os dias devem ser dedicados a Ele.

Em suma, a Nova Aliança veio tirar os limites que havia em nossa vida com Deus, fazendo com que minha vida seja, em todos os aspectos, ilimitada para o Senhor.

Porém, se ainda insistem em manter a guarda de um determinado dia da semana, mesmo após tudo o que a Bíblia diz, então, proponho a criação de um novo dia da semana chamado “Sabingo”, iniciando-se ao meio dia do sábado, e findando-se ao meio dia do domingo.

 Agnelo Baltazar Tenório Férrer

Nenhum comentário:

Postar um comentário