sexta-feira, 5 de junho de 2020

[OPINIÃO] Por um lockdown nas verbas da Câmara de Vereadores de Delmiro Gouveia.

Enquanto a população mundial sofre os efeitos da pandemia do covid-19, a câmara de vereadores de Delmiro Gouveia aprova por unanimidade a indicação de lockdown nos limites do município. 

Resumidamente lockdown significa bloqueio total ou confinamento, é um protocolo de isolamento que impede o transito de pessoas, informações ou cargas. Entre tantas respostas possíveis, os vereadores decidiram que suspender as liberdades é a única saída, enquanto uma cidade depende das ambulâncias em busca de socorro na capital.  

Exemplos de altivez e objetividade não faltam no meio político no combate a pandemia, no Brasil e no mundo. Investimentos em saúde e em educação comportamental para evitar a propagação do vírus entre as populações são as principais conjugações.  Em Delmiro Gouveia, onde a Câmara de Vereadores pede a suspensão completa das liberdades, o comércio permanece fechado, as atividades que se julgam não essenciais estão impedidas de funcionar, escolas fechadas, comércio informal impedido de funcionar e atividades do cotidiano inexistentes, todos eles confiantes que o tempo de suspensão seria recompensado com instrumentação da saúde pública – preparação da UPA e Hospital Regional. 

Já a resposta dos vereadores em estilo político Rubens Barrichello é atrasada e distópica: fechar ainda mais, suspender as liberdades, quebrar as garantias fundamentais, tudo sem antes colocar o problema principal em evidencia: a falta de saúde de qualidade para o Município. Por que será?

Tenho discutido em artigos anteriores que a Câmara de Vereadores de Delmiro Gouveia vai de encontro ao que preconiza a ciência política. Especificamente quanto aos custos de representação. Sustento que os contribuintes custeiam 11 engravatados, que fizeram o Legislativo perder o valor simbólico, perder a ligação com a realidade e ao mesmo tempo perceber de como essa representação vem custando cada vez mais aos cofres públicos, afinal, dinheiro não cai do céu, sem as devidas contrapartidas aos representados. 

Exemplo da falta de contrapartida é o fato da Câmara de Delmiro Gouveia e os seus vereadores continuarem recebendo e gastando a mesma verba de gabinete, os mesmos salários, as mesmas regalias de combustíveis e assessoramento em tempos de pandemia.
Ora, se os vereadores dizem que um restaurante que entrega delivery não pode funcionar, já que o lockdown não permite o transito de pessoas, ou que determinada loja que entrega em casa não pode funcionar, apenas mercados e farmácias na maioria das vezes, eles deviam agir conforme nossos sábios avós diziam “exemplo bom, deve começar em casa”. Por que não suspenderam os vencimentos de R$ 5.000,00 e doaram para as frentes de combate ao covid? Por que as verbas de gabinete de R$ 4.500,00 continuam sendo pagas se a Câmara de Vereadores está fechada?  E os 300 litros de combustível que cada vereador possui, porque foi utilizado? Por que não repassou os vencimentos de assessores, todas essas coisas durante os meses de pandemia? O silêncio que a política delmirense teve como resposta até ontem foi angustiante. Mais angustiante ainda é utilizar o medo para mudar o foco da questão: é perceptível a falta de representação política. 

“Onze engravatados e um lockdown” daria um bom nome de filme. O final desse filme já é conhecido: ou será morrer a espera de uma UTI na capital alagoana ou ligando desesperadamente para um dos nobres engravatados na espera de uma ambulância.  

Gerd Gomes – Advogado

Douglas Dias - Cientista Político

Crédito/Foto: Ascom