sábado, 1 de março de 2014

Por maioria, Juri popular inocenta reú acusado de matar amigo de infância durante jogo de futebol há 16 anos em Canapi.


Novo juri  ocorre quase duas décadas depois no municipio.

Por: Marcio Martins com TJ/AL
Créditos: Canapi  Agora

Réu confesso  do assassinato de Genessi dos Santos, há 16 anos durante um jogo de futebol, Daniel Camilo da Silva, mais conhecido por “Léo”, foi a júri popular nesta sexta-feira (28). O julgamento teve inicio as 10 hs, e foi presidido pelo magistrado Orlando Rocha Filho.
O crime ocorreu no sitio Barro Branco, situado na zona rural do município de Canapi, por volta das 16 hs em 02 de Novembro de 1997 enquanto a vítima assistia a um jogo de futebol com um amigo. O réu teria chegado armado e ficado parado ao lado de Genessi dos Santos, que teria perguntado ao acusado o porque dele estar armado e com “cara de bandido”, quando o Daniel Camilo sacou a arma e disparou cinco tiros contra vítima. Daniel Camilo chegou a ser preso pelo crime, mais não passou mais que oito horas preso, de lá pra cá sempre respondeu ao processo em liberdade.
De acordo com o processo, os dois tinham passado boa parte do dia juntos, assistindo televisão na casa de amigos, não havendo nenhuma discussão entre eles. O Ministério Público requereu a pronúncia do acusado, alegando ter elementos demonstradores de culpa do mesmo.
Durante o julgamento em sua defesa o reú alegou que matou por legitima defesa pois era agredido pela vitima desde criança e no dia do crime era por ele ameaçado com uma corrente de bicicleta, a qual de acordo com o promotor Fábio Vasconcellos não constava nos autos, haja visto que nada do tipo havia sido apreendido pela autoridade policial da época, afirmação rebatida pelo advogado do reú Dr. Francisco que lendo parte dos depoimentos de algumas testemunhas afirmava a existência de tal objeto.
Durante seu pronunciamento o Promotor Fábio Vasconcellos chamou a atenção da sociedade ali representada pelo juri popular sobre a responsabilidade de ser manter os criminosos presos e de manda-los para a cadeia. "É muito fácil sair as ruas para protestar contra a justiça, pintar a cara, quebrar banco, mas na hora de assumir a responsabilidade e mandar para a cadeia o bandido a sociedade se esconde e inocenta o criminoso" - Disse o promotor.
Em defesa do réu seu advogado Dr. Francisco, pediu que o juri julgasse seu cliente pelo que estava contido nos autos do processo e não pela emoção. "Não achem vocês que meu cliente é bandido, atentem aos autos, ele agiu em legitima defesa como qualquer um de nós faríamos, afinal quem de nós apanhariam de corrente com uma arma na cintura"- Indagou.
Após o pronunciamento de defesa e acusação, o juri a portas fechadas se reuniu por cerca de 20 minutos e em seguida foi anunciada a decisão, que por maioria inocentou o réu.
Antes mesmo de anunciar o resultado do juri, o Juiz Orlando Rocha Filho, aproveitou o momento para proferir duras criticas ao sistema jurídico do país que sobrecarrega juízes e promotores, fazendo com que milhares de processos se acumulem. Classificou a demora da justiça em julgar o caso em pauta de vergonhosa e no final agradeceu a todos que contribuíram para a realização de mais um juri popular no municipio quase duas décadas depois.
Além do juri composto por sete cidadãos canapienses, cerca de 20 pessoas acompanharam a sessão, entre elas familiares do acusado, funcionários da justiça, advogados, servidores públicos, estudantes de direito e populares em geral.
Agora o eminente juiz promete a realização de outros dois júris populares que devem ser realizados entre os dias 17 e 21 de março, durante a Semana Nacional do Tribunal do Júri.
  

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